Katy Perry foi ao espaço. Mas como funciona uma viagem espacial?
Foguetes, gravidade zero e robôs exploradores: descubra o que acontece quando alguém deixa a Terra e como a ciência torna essas viagens possíveis.
Já imaginou olhar pela janela e ver a Terra inteira lá embaixo? Ou flutuar dentro de uma nave, sem conseguir ficar com os pés no chão? Parece cena de filme, mas essas experiências fazem parte da realidade das viagens espaciais.
Em 2025, a cantora Katy Perry participou de um voo espacial turístico que chamou a atenção do público. A viagem durou cerca de 11 minutos, mas chegar ao espaço, mesmo por pouco tempo, exige muita tecnologia, preparação e conhecimento científico.
Afinal, como um foguete consegue sair da Terra? Por que os astronautas flutuam? E o que é preciso para uma pessoa sobreviver dentro de uma nave?
Como um foguete consegue sair do chão?
Para começar uma viagem espacial, não basta construir uma nave e apertar um botão. É preciso vencer a gravidade e alcançar a velocidade necessária para seguir a trajetória planejada.
Quem explica isso é Arthur Nichio, professor de Física. Segundo ele, o foguete funciona a partir da queima de combustível, que libera gases em alta velocidade para baixo. A reação produz uma força que impulsiona o foguete para cima.
Esse movimento é explicado pela terceira lei de Newton: toda ação provoca uma reação de mesma intensidade e em sentido contrário.
É como se os gases fossem empurrados para baixo e o foguete recebesse um impulso para cima. Só que, para permanecer em órbita, ele também precisa alcançar a velocidade adequada e seguir uma trajetória específica.
Ou seja: subir é apenas uma parte do desafio. O foguete precisa fazer muito mais do que simplesmente apontar para o céu!
Por que os astronautas ficam flutuando?
É gravidade zero? Não exatamente!
Quando vemos imagens de astronautas flutuando dentro de uma nave, pode parecer que a gravidade desapareceu. Mas ela continua atuando.
O que acontece é que a nave e tudo que está dentro dela permanecem em queda livre contínua ao redor da Terra. Como todos estão se movimentando juntos, os astronautas têm a sensação de não possuir peso. Essa condição é chamada de microgravidade.
É por isso que objetos podem ficar suspensos no ar e os astronautas conseguem se movimentar de um lado para o outro sem caminhar como fazemos aqui na Terra.
Imagine tentar beber água, dormir ou pegar um objeto enquanto tudo parece flutuar. A experiência pode ser curiosa, mas também exige adaptação!
Como é viver dentro de uma nave espacial?
Uma viagem espacial não é feita apenas de paisagens incríveis e objetos flutuando. Para permanecer no espaço, os astronautas precisam de uma estrutura que mantenha condições adequadas para a vida.
A nave conta com sistemas que fornecem oxigênio, retiram o gás carbônico e controlam a temperatura, a pressão e a umidade. Também são necessários água, energia, comunicação e equipamentos de segurança.
E a rotina? Até atividades comuns precisam de adaptações.
Na hora de comer: os alimentos são preparados para durar bastante tempo e ocupar pouco espaço.
Para dormir: os astronautas usam sacos de dormir presos a superfícies da nave, evitando que fiquem flutuando enquanto descansam.
Na hora da higiene: os banhos convencionais dão lugar a métodos que economizam água e permitem a limpeza pessoal dentro da nave.
Tudo precisa ser planejado para aproveitar o espaço disponível e evitar problemas durante a missão.
Se o voo dura apenas alguns minutos, por que exige muita preparação?
A resposta está nos riscos envolvidos. O corpo humano não está naturalmente adaptado ao ambiente espacial, e qualquer falha nos equipamentos pode colocar a tripulação em perigo.
Por isso, os astronautas passam por treinamentos físicos e psicológicos e aprendem a lidar com situações de emergência. As naves também precisam contar com sistemas de segurança para o lançamento, a viagem e o retorno à Terra.
O professor de física Arthur Nichio explica que existe uma diferença importante entre uma viagem turística e uma missão de astronautas. Enquanto o turismo espacial tem como principal objetivo proporcionar a experiência de viajar ao espaço, as missões profissionais podem envolver experimentos científicos, operação de equipamentos e atividades que exigem treinamento específico.
O tempo de permanência também varia. Há pessoas que passaram meses e até quase um ano em ambientes de microgravidade.
Nesse período, o corpo pode sofrer mudanças, como perda de massa muscular e óssea, alterações cardiovasculares, problemas de equilíbrio e mudanças na visão. Por isso, os astronautas precisam se exercitar diariamente e receber acompanhamento durante a missão. Na volta à Terra, também pode ser necessário um período de recuperação.

